SANTOS DUMONT E O PRIMEIRO AVIÃO

Alberto Santos Dumont foi o maior inventor brasileiro de todos os tempos e, também, aquele que contou com mais recursos à sua disposição para realizar seus experimentos. Filho de um grande fazendeiro de café, Dumont recebeu uma grande herança do pai, suficiente para financiar seus inventos e garantir sua subsistência ao longo de toda a vida. De seus inventos nunca recebeu nada, recusando-se a solicitar patentes de seus aparelhos por julgar que o segredo de invenção retardava o desenvolvimento aeronáutico. Ao contrário de alguns dos mais conhecidos inventores franceses e norte-americanos, Santos Dumont não deu origem a nenhuma indústria de aeronaves, nem mesmo projetou aparelhos para fabricação em série. Seu pai, o engenheiro Henrique Dumont, tinha ascendência francesa, tendo, inclusive, realizado o curso superior na França. De volta ao Brasil, Henrique Dumont empregou-se no serviço de obras de Ouro Preto, em Minas Gerais. Nessa cidade, casou-se com Francisca Santos, filha do Comendador Paulo Santos. Henrique Dumont iniciou a navegação a vapor do Rio das Velhas, trabalhou em exploração madeireira e na realização de obras de engelharia, tais como pontes e estradas. Empreitou a construção de um trecho da Estrada de Ferro D. Pedro II, hoje Central do Brasil, próximo à cidade de Barbacena, em Minas. Foi aí, no Sítio de Cabangu, que nasceu o sétimo filho do casal, Alberto, a 20 de Julho de 1873. Em 1879, Henrique Dumont adquiriu uma fazenda na região de Ribeirão Preto, oeste de São Paulo. Em pouco tempo, a fazenda tornou-se uma das maiores do Império, chegando a contar com cinco milhões de pés de café plantados. A dimensão da fazenda era tal que Dumont construiu um ramal particular da estrada de ferro, ligando os cafezais entre si à estação de embarque, em Ribeirão Preto, numa extensão de cerca de 30 quilômetros. Dali, a produção de café era escoada por ferrovia até o porto de Santos.

Em 1891, após um acidente que o deixou hemiplégico, Henrique Dumont vendeu a fazenda, partindo para a Europa com a família. O jovem Santos Dumont acompanhou os pais e dessa viagem surgiu o desejo de estudar na França. De volta ao Brasil, Henrique Dumont emancipou o filho, aos 18 anos de idade, recomendado que não realizasse um curso superior, mas sim que procurasse especialistas em física, química, mecânica e eletricidade e que estudasse essas matérias, sublinhando sua convicção de que o futuro repousaria na mecânica. Em 1890, em São Paulo, Santos Dumont assistiria a uma ascensão de aerostato e, desde então, mantinha

o desejo de realizar um vôo. Uma vez em Paris, procurou a casa fabricante de balões, Lachambre & Machuron, para combinar uma ascensão, afinal realizada num balão da própria empresa, pilotado por Machuron, um dos sócios. O balonismo era um esporte de elite. A não-dirigibilidade dos balões impedia aplicações práticas, exceto o reconhecimento militar. Os balonistas deixavam-se levar pelo vento, sem destino, pelo puro prazer de navegar pelo ar e contemplar a paisagem. Dumont tinha no início esse mesmo perfil e realizou muitas ascensões esportivas, pilotando balões livres Como todos os balonistas da época, corria constantes riscos. Na verdade, por sua aura de aventura e perigo, o esporte exercia fascínio sobre a juventude aristocrática da França do final do século. Numa de suas muitas ascensões, Dumont atingiu a cerca de 3000 metros, permanecendo acima do topo das nuvens, sem noção do que havia embaixo. Em certo momento, o balão foi tomado por uma corrente de ar ascendente e elevou-se. Pouco depois, subitamente, precipitou-se, perdendo altura rapidamente. Dumont deixou fora o lastro e, próximo ao solo, o balão encontrou uma violenta tempestade, cujos fortes ventos lhe imprimiram velocidade. Repentinamente, a corda pendente, o que permanecia pendurada fora do balão, enroscou-se numa árvore, detendo bruscamente o engenho. Dumont foi lançado fora da cesta e desmaiou na queda. Um incidente dessa natureza não desanimava os jovens balonistas, pelo contrário, os encorajava a realizar novas ascensões.

EXPERIMENTOS COM BALÕES

Depois de alguns vôos , Santos Dumont decidiu projetar um balão. Imaginou-o extremamente pequeno, com o invólucro de gás contendo apenas 113 metros cúbicos de hidrogênio, quando, na época, o usual era um volume seis a sete vezes maior. O envelope contendo o gás seria feito de seda japonesa. Os especialistas não acreditavam que o pequeno balão esférico pudesse voar com uma quantidade relativamente reduzida de gás e temiam que o invólucro se rompesse em pleno ar, supondo frágil a seda japonesa. Mas nenhum desses temores procedia, e o balão Brasil voou sem maiores problemas, lançando um novo nome nos meios aeronáuticos franceses.

Em 1898, Dumont projetou e construiu o balão denominado Santos Dumont N.º1, o primeiro de uma série de dirigíveis. A plena dirigibilidade dos balões ainda não havia sido alcançada, e os inventores debruçavamse sobre o problema. Foram vários outros experimentos com balões até a construção do 14 BIS, o primeiro veículo mais pesado que o ar a alçar voo

A aeronave 14 Bis: a invenção do avião

Durante alguns dias, Dumont realizou diversos experimentos com o 14 Bis. Em 13 de setembro de 1906, diante de testemunhas, ele realizava seu histórico vôo Nessa época, o inventor brasileiro já se convencera de que o motor de explosão tinha se desenvolvido o suficiente para sua aplicação na construção de uma aeronave mais pesada do que o ar. E assim abandonou os balões e dirigíveis e concentrou-se nos estudos de um aparelho dessa natureza. Em 1906, a aeronave estava pronta. Tinha 10 metros de comprimento , 12 de envergadura e pesava 160 quilos, contando com um motor de 50 cavalos de força. No dia 13 de setembro de 1906, Dumont realizava o primeiro vôo do 14 Bis . Diante de numerosa comissão fiscalizadora do Aeroclube da França, no campo de Bagatelle, o avião correu por cerca de 200 metros e alcançou vôo, descrevendo um percurso de cerca de 100 metros, a mais de um metro de altura. Era a primeira vez que um aparelho mais pesado que o ar se elevava por seus próprios meios e permanecia no ar por algum tempo. A fama de Dumont espalhou-se rapidamente por vários países da europeus.

A aeronave Demoiselle

O aparelho Demoseille, projetado e construído por Santos Dumont, seria hoje chamada de aeronave ultra-leve. Com ela Dumont realizava viagens freqüentes no interior da França. Em 1907, Dumont construiu um avião sensivelmente mais evoluído do que o primeiro: voava a aeronave Nº 19,batizada pelo povo de Paris como “Demoiselle”. O aparelho possuía apenas 8,4 metros de comprimento e 5,10 cm de envergadura e se assentava sobre três rodas, duas na parte traseira do avião e uma na frente. A fuselagem era construída de longarinas de bambucom juntas demetal e as asas cobertas de seda japonesa. O motor de 30 cavalos tinha sido concebido pelo próprio Dumont e pesava 40 quilos. Com esse avião, pioneiramente, Dumont realizou viagens orientadas por bússola. O aparelho voava a 80 quilômetros por hora. O Demoiselle era um aparelho leve, de grande efeito estético.Pousava e decolava em apenas 80 metros de terreno gramado. Dumont realizava vôos freqüentes com o aparelho sobre Paris e algumas pequenas navegações para locais próximos.

 

PEQUENA HISTÓRIA DE UMA DAS MAIORES
FAZENDAS DO MUNDO

Salutares efeitos do desmembramento da famosa Fazenda Dumont -
Colheitas de 124.500 sacas de café, reduzidas agora a 600 somente

Texto originalmente publicado no jornal Estado de São Paulo em 1947.

Ribeirão Preto, 27(da sucursal regional) - Naquele ano de 1873, contava apenas 5.552 habitantes, sendo 857 escravos e 14 eleitores na paróquia.Essa referência, dada por Azevedo Marques nos seus clássicos “Apontamentos da Provincia de S. Paulo”, define perfeitamente o que era o futuro, mas incipiente municipio do “ogate”. Cinco anos depois, a Mogiana ainda permanecia indecisa em Casa Branca, sem saber que rumo devia tomar. De um lado estava seu antigo projeto, aprovado pela Assembléia Provincial, que lhe apontava o rumo em frente, de Batatais e de Franca do Imperador, e do outro o estudo de um ramal, também aprovado em direção de S. Simão e de Ribeirão Preto. Afinal, resolveu-se pelo ramal: - a linha tronco viria a Ribeirão, abandonando-se definitivamente o traçado primitivo. Iniciou-se o prolongamento. As folhinhas marcavam então, o ano de 1978. Ribeirão Preto situava-se a 3 dias de cavalo da Casa Branca. Era a viagem normal dos debravadores. Foi a viagem do engenheiro Henrique Dumont com sua numerosa familia, oitenta escravos e trezentos contos em dinheiro. O que aconteceu depois é mais em meros conhecidos. Dumont adquiriu posses e instalou-se nelas no ano de 1879, entregando-se de corpo e alma ao plantão de cafezais. Por todos os lados o trabalho era um só - a derrubada, a queimação e a subsequente formação de fazendas. A terra roxa no auge da sua força gerou Ribeirão Preto, a flor da civilização do café.

A FAZENDA DUMONT PASSA PARAAS
MÃOS DOS INGLESES

Dez anos depois, Henrique Dumont caiu de um cavalo e morreu um ataque de paralista. Era então o maior fazendeiro.Emendará propriedades, criando um verdadeiro mundo. Aqui fez-se homem o seu filho, Alberto, o Glorioso Alberto Santos Dumont, cresceu brincando com os negros cativos, conduzindo as locomotivas “Baldwin”, soltando balões no meio dos terreiros do café. Em consequencia do Acidente, Henrique Dumont entendeu de bom aviso transferir seu patrimônio, e que fez, vendendo-o á “Companhia Agrícola Fazenda Dumont” Em 1898 surpreendemos um “retrato escrito” da grande propriedade, consoante certidão que fizemos extrair no cartório local do “registro” de imóveis: contava do núcleo inicial, com 8205 alqueirca de terras, com um milhão e quinhentos mil cafeeiros, 420 casas para colonos, casas de moradas, de administradores, fiscais, armazém, farmacia, escola, casa de maquina, olaria, etc...; mata a fazenda albertina, terras pró-indivino de Cascável, Sertãozinho (hoje municipio), Palmital e Boa Vista; 500 alqueires de terra de primeira baixa; 450 alqueires de terra de segunda baixa, 300 alqueires da terra de campo; 300 alqueires de terra de primeira para café; 300 alqueires de terra de segunda, cafezais nas fazendas de Cascavel e Sertãozinho, 600 mil pés , sendo 300 mil de “HEYOR”, benfeitarias, 200 casas de colonos e nos lugares denominados Albertina, Barreiros, Cornelia, Algodoal, Franco e Sobraco, maquinas para beneficiar café, engenho de terra, terreiros ladrilhados, etc... Total, 8.793 alqueires. Esse mundo imenso estava sendo dado em garantia sob vínculo de hipoteca de Londres, representado por Edward Fietton e Artur Bryan em consequência de um empréstimo de 400 mil libras esterlinhas, ou 87.529.411,66 moeda valorizada daquele tempo.

 
 

EXTINÇÃO DE UM LATIFÚNDIO - O FIM DAFAZENDA DUMONT

Vieram depois os ingleses, numa doação em pagamento com a formidável propriedade agrícola. Para explora-la, organizaram a “Dumont Cofee Company”. Em 1905, quem conta é o proprio Alberto Santos Dumont - ela colheu naquele cafezal 400 mil arrobas e em 1911 obteve uma renda de $ 3.883.000,00. Para que que se tenha nitida compreensão desses números mister se faz um recuo no tempo. O café colhido correspondeu a 124.500 sacos, quantidade verdadeiramente extraordinária, ainda mesmo nos dias que correm; todavia, o que a muitos poderá parecer insignificante, foi o lucro de três mil e oitocentos, porque hoje, segundo se sabe, qualquer atacadista da Rua Vinte e Cinco de Março, num só ano, sem canseiras, ganha muito mais, entretanto, para a época foi esse um resultado fabuloso, digno da maior admiração. Os ingleses, porém pouco apegados à terra, fraquejaram na segunda ou terceira crise do café. Veio a exaustão do solo, veio a erosão, veio o envelhecimento das árvores e sobretudo apareceu

o terrível cupim conhecido pelas letras iniciais de D.N.C.. Então, sentindo-se definitivamente perdidos, liquidaram a velha fazenda, não sem antes despirem-na de tudo quanto lhe foi possível dela retirar, inclusive uma estrada de ferro completa. Até recentemente, em 1943, arrastava-se no forô de Ribeirão Preto uma ação trabalhista de antigos empregados da Dumont contra os suditos da Grã-Bretanha. Por esse tempo a imensa fazenda já havia sido vendida a uma organização cujo primeiro intuito que justificou sua fundação, foi adquirir latifundios e repartilos em lotes.Visava-se conseguir pela subdivisão da propriedade, o aumento da produção e o consequente aumento de cargas para determinada estrada de ferro, Coube a C.A.I.C. o trabalho de fazer explodir o famoso feudo.

Ninguém mais conhece a fazenda Dumont

Exemplo frisante, palpitante, de como a subdivisão da terra promove a melhoria das condições de vida de uma zona, inclusive dos seus aglomerados urbanos, está neste uso da Fazenda Dumont, que nada produzia para Ribeirão Preto e se contrario aqui se abastecia, mandando depois para o exterior a sua colheita e a sua renda. Hoje a Fazenda Dumont, ou antes, o bairro Dumont, está irreconhecível. Nela vivem e trabalham nada menos de 245 lavradores, ou 3.000 pessoas, que em 1946 pagaram R$ 214.000,00 de imposto territorial. No ano agrícola que findou, esse núcleo de agricultores exportou para esta cidade caçados, 700 cabeças de gado de corte e 363 mil litros de leite, fora que foi mandando para fora , ou veio a Ribeirão em carretelas, como ovos, frangos, hortaliças e bananas. O contraste é chocante. Mais chocante ainda é o que diz respeito ao setor agrícola propriamente dito. A Fazenda Dumont nunca produziu uma espiga de milho, uma só maça de algodão, ou uma touceira de arroz. Tudo lhe vinha de fora, porque o café, que mais dava, era a cultura permanente. Com o retalhamento da propriedade os cafezais foram arrasados. Em vez da rubiacea, que só passava pela estação de Moglaua, assim mesmo em transito para Santos, Ribeirão Preto recebeu em 1945 os seguintes produtos nas seguintes quantidades: algodão com caroço 60 mil arrobas; milho debulhado, 70 mil sacos; arroz com casca, 50 mil sacos; feijão, 400 sacos; mamona, um milhão de quilos; apreciaveis quantidades de batatas, amendoim, rami, girassol, etc. A decomposição da Fazenda Dumont é um indice expressivo da transformação de Ribeirão Preto. Expressa perfeitamente as duas fases da cidade, aquela primeira do “rush”, dos gastos irrefletidos, das casas de tabuas reveladoras do início da instalação humana, e agora, a atual da sociedade estabilizada, a culta refinada da economia melhorada e dos arranha-céus construídos e em construção. Por isso mesmo a Fazenda Dumont, que foi de “um”, pertence hoje a duzentos e cinquenta. E ele, que outrora foi a Rainha, produzindo em 1905 nada menos de 124.500, em 1946 não colheu nada mais que 600 sacas de café.

 

 

A ESTAÇÃO DE
DUMONT

HISTÓRICO DA LINHA: A E. F. Dumont, construída pela Mogiana para ser um ramal de bitola de 60 cm, saía de Ribeirão Preto e chegava à fazenda Dumont, de propriedade de Henrique Santos Dumont, a oeste de Ribeirão. O tronco da ferrovia, também chamada de Ramal de Dumont, tinha cerca de 25 km, mas havia também 4 ramais que saíam da linha principal. A Mogiana a vendeu logo após construída para a Fazenda Dumont, que passou a operála, inclusive com transporte público de passageiros. Começou a operar em 1890 e foi fechada, com a venda da fazenda e de seus ativos, em 1940, sendo os seus trilhos imediatamente retirados. Por quase todo o seu leito passa hoje a rodovia Ribeirão Preto-Pradópolis. Duas de suas locomotivas (eram 4) foram vendidas à E. F. Perus-Pirapora.

A ESTAÇÃO: A fazenda Dumont, de propriedade de Henrique Santos Dumont, pai de Alberto Santos Dumont, o Pai da Aviação, era, entre 1870 e 1890, uma das maiores fazendas de café do mundo. Em 1890, a Mogiana construiu a linha de Ribeirão Preto à fazenda e imediatamente o vendeu a Henrique, que passou a operá-lo. No ano seguinte, Henrique sofreu um acidente (queda de cavalo), que o levou a desanimado, vender a fazenda aos ingleses, que fundaram a Dumont Coffee Company, em 1896. Estes passaram a operar também a ferrovia. Com as sucessivas crises do café, a maior delas em 1929, os ingleses venderam e lotearam toda a fazenda, inclusive os trilhos da ferrovia. Segundo se conta, a operação foi intermediada pelo Governo do Estado e não teria sido muito lícita. Além disso, segundo alguns, o acordo de venda previa que a linha principal da ferrovia deveria continuar operando para o transporte de passageiros desde Ribeirão, fato que não aconteceu, tendo sido os trilhos retirados logo em seguida (1940). Isto deixou no desemprego vários funcionários da ferrovia, que passaram a ter de trabalhar como lavradores para sobreviver. Em poucos anos a fazenda loteada se transformou numa pequena cidade, que se emancipou como município em 1953. Hoje restam a casa da fazenda e mais algumas casas, espalhadas pela cidade, principalmente em sua parte baixa. A estação de Dumont ficava junto com as casas dos funcionários e do telégrafo, na fazenda Dumont. Hoje este conjunto fica a cerca de um quarteirão da praça central da cidade, e numa das casas funciona o cartório. A plataforma de embarque e sua cobertura, que ficavam ao longo das casas, já não mais existem. Sobraram também asmemórias de Ângelo Lorenzato, italiano de 93 anos (em 2001), morador da cidade que é aparentemente o último funcionário vivo da ferrovia, tendo sido um de seus maquinistas. Graças a ele, grande parte da história da ferrovia Dumont pôde ser levantada.

VIDA E MORTE DE
HENRIQUE DUMONT

Henrique Dumont (Diamantina, Minas Gerais, 20 de julho de 1832 - Rio de
Janeiro, 30 de agosto de 1892) foi um cafeicutor e pai de Alberto Santos
Dumont. É considerado um dos quatro reis do café da sua época.
Ajudou na criação do primeiro carro a gasolina junto com Henry Ford.
O acidente em 1890, caiu da charrete de sua fazenda e o acidente o deixou
hemiplégico. Posteriormente, em 1891, em consequência do tratamento,
vendeu sua fazenda e partiu para a Europa com sua família.

 

A MORTE...

Aos 60 anos, em 30 de Agosto de 1892, morre no Rio de Janeiro, com vários problemas no corpo. No início da década de 40, a Dumont Coffee Company, foi divida em em lotes e vendidos aos colonos, constituídos, principalmente por imigrantes italianos que vieram trazidos por Henrique Dumont para trabalharem nas grandiosas lavouras de café. O povoado de Dumont foi crescendo e, em 1953, foi criado o Distrito de Dumont que passou a pertencer a Ribeirão Preto. Finalmente, em 1963, pela Lei n.º 8.050, de 31/12/1963, o então distrito de Dumont fora transformado em Município.

A cidade de Dumont fica próxima a importantes centros como Ribeirão Preto, Sertãozinho, Jaboticabal, São Carlos e Franca.

 

A origem da
cidade de Dumont

A cidade tem origem histórica ligada a familia de Henrique Dumont, pai de Alberto Santos Dumont. Henrique Dumont, nascido em 20 de Julho de 1832, filho de François Dumont e Eufrásia Honoré Dumont, formou-se engenheiro em Paris e seu primeiro emprego foi como funcionário da Prefeitura de Ouro Preto, assumindo a empreitada da construção da continuação da estrada de ferro na subida da Serra da Mantiqueira, e instalou seu canteiro de obras no sítio Cabangú, onde nasceu seu sexto filho Alberto Santos Dumont, no dia 20 de Julho de 1873. Em 1870, Henrique Dumont, pai de Alberto Santos Dumont, veio pra Ribeirão Preto, onde abriu a Fazenda São José, trazendo 800 contos de reis e 80 escravos dos estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro, e alugou 150 outros de bananal. Alberto Santos Dumont era muito criança ainda quando seus pais Henrique Dumont e Francisca dos Santos Dumont, mudaram-se do interior de Minas, do Sitio Cabangú, para a Fazenda Dumont. Aqui aprendeu as primeiras letras com sua irmã "Virgínia". Estudou na escola "Culto á Ciência" de Campinas e mais tarde no Colégio Morethon em São Paulo. Vinha passar as férias na Fazenda Dumont. Em 1879, Henrique Dumont, engenheiro e proprietário de lavouras diversas, adquiriu da família Silva Prado a Fazenda Arindeuva, mais tarde Fazenda Dumont, na região de Ribeirão Preto. O engenheiro não mediu esforços para devastar as matas que a fazenda possuía e transformá-la numa grande produção de café. Essa fazenda, mais tarde passou a chamar-se Companhia Agrícola Fazenda Dumont.

Com muito esforço e trabalho, ele construiu aqui o que chegou a ter a maior propriedade agrícola do Brasil, com cinco milhões de cafeeiros em plena produção, o que lhe valeu o título de "Rei do Café". Também com a ajuda dos colonos, foi idelizando, criando e construindo. Em 1894 na fazenda Dumont já se arava terras com tratores a vapor e se utilizava secadores mecânicos para café. O mesmo construiu uma ferrovia particular dentro da fazenda, esta percorria os cafezais e levava o produto de exportação para a Estação da Mogiana em Ribeirão Preto, numa extenção de 30km. A "explosão" caniveira, na Região de Sertãozinho, no final do Século XIX, teve início com a sugestão do Jovem Alberto Santos Dumont ao seu pai, para que adquirisse um engenho para fabricação de açúcar. Todo

o complexo industrial foi importado da Escócia, e permaneceu por alguns anos e sem ser montado na Fazenda Dumont.

A doença de Henrique Dumont e o interesse do seu filho por experimentos e inventos, como balões, avião, relógio de pulso e outros, motivaram o desinteresse pelo equipamento que permaneceu inativo até ser adquiridio por Francisco Schimidt, que o transferiu para a fazenda vassoural, então nos limites de Sertãozinho, cuja instalação foi concluída em 06 de agosto de 1906, foi o primeiro engenho de açúcar da região.

Em 1891 o engenheiro Henrique Dumont, já muito doente, vendeu a Fazenda à Companhia Melhoramentos do Brasil, incorporada por Paulo de Frontin, Rocha Miranda e outros. Estes, entretanto, por pouco tempo a mantiveram em seu poder. Ainda: "Em 1984, Luis Rodolfo Miranda, em Londres, como representante da Companhia Melhoramentos, transferiu a propriedade a um grupo de Capitalistas Ingleses, que constituíram a "Dumont Cofee Company".

Foi conservado o nome do fundador, não só como justa homenagem, mas também em atenção a projeção que este mantinha nos mercados mundiais do café".

É inegavél a ajuda de um mil réis que a cidade de Ribeirão Preto, deu ao grande inventor Alberto Santos Dumont, mas, na verdade quem financiou seus projetos e seus estudos foi seu Pai, Henrique Dumont, com a produção e a própria venda da fazenda que posteriormente transformou-se no Distrito e Município de Dumont. No inicio da Companhia Agrícola Fazenda Dumont, o braço escravo fazia parte da mão de obra, mas pelo fato do Dr. Henrique não acreditar no braço escravo, estes foram substituídos pelo trabalho livre e remunerados dos imigrantes, como: Italianos, Espanhóis, Alemães, e outros, predominando o imigrante Italiano.

Pode-se afirmar com segurança que nosso vizinho município de Sertãozinho passou a viver sua “revolução industrial” com a chegada das primeiras levas de imigrantes. As oficinas de fundo de quintal instaladas por muitos deles, na realidade, revelaram-se verdadeiros centros de experimentação e até mesmo de invenções. Um dos exemplos mais evidentes deste período dis respeito ao próprio “Pai da Aviação”, Alberto Santos Dumont, que vivendo na fazenda paterna que então pertencia a Sertãozinho, frequentemente visitava estes locais, ávidos por novidades, chegando mesmo a neles testar suas habilidades, tanto ensinando quanto aprendendo.

Estes imigrantes juntaram-se e fizeram sua própria história, são famílias que hoje continuaram trabalhando aqui em prol do desenvolvimento do Município.

Isto explica a etnia do povo de Dumont, formado essencialmente por descendentes de Italianos. Para ilustrar, um escravo que marcou na história de Dumont, foi Manoel de Deus, que era “pajé” de Virginia, irmã de Alberto Santos Dumont. Devido a isso hoje em nosso município tem uma rua com esse nome em sua homenagem.

Atualmente, com grande fluxo migratório, decorrente das lavouras de cana-de-açúcar e amendoim, houve uma grande miscigenação com a vinda para o município de trabalhadores oriundos de outros estados; Minas Gerais, Bahia, Paraná e Maranhão.

 

Formação Político Administrativa

A vida política e administrativa do Município de Dumont tem início em 24 de dezembro de 1.948, quando, por efeito da Lei nº233, dessa mesma data, o povoado da fazenda Dumont foi elevado à categoria de Distrito. A completa instalação da subprefeitura, todavia só se efetivou em fins de 1.953. A autonomia Política e Administrativa foi conquistada em plebiscito em 08 de dezembro de 1.963. A primeira eleição municipal de Dumont deu-se em 07 de março de 1.965. Através da Lei nº8.050 de 31 de dezembro de 1.963, alterada pela Lei nº8.092 de 28 de fevereiro de 1.964, Dumont passou a ser Município e a instalação deu-se em 21 de março de 1.965. O município de Dumont, pertenceu à Comarca de Ribeirão Preto até da Lei Complementar nº991, de 29 de março de 2.006, que territoriamente passou a pertencer a Comarca de Sertãozinho/ SP.

Dados Geográficos do
Município

Área territorial: 102 Km² - Municípios Limítrofes: Ribeirão Preto,
Sertãozinho, Barrinha e Guatapará.
Distancia da Capital: 330 Km.
Altitude média: 587,30 metros.
Meridiano: 45º W.G. Latitude: 21º,14' 14 - S
Longitude: 47º 58" 25 - W
População: 8.346 habitantes.

Santa Helena

A Santa Helena possui 67 anos de história e está sediada em Ribeirão Preto (SP). Sua liderança de mercado deve-se, em parte, ao máximo zelo com a matéria-prima utilizada em sua produção. Ribeirão Preto é uma das regiões mais ricas do país e onde se concentra a maior produção de açúcar, álcool, suco de laranja e amendoim do Brasil. Desde 2001, a empresa conta com uma Unidade de Beneficiamento de Amendoim, no vizinho município de Dumont, em uma área construída de 18.000 m², sendo uma das mais modernas do país. A empresa detém o selo de qualidade Pró-Amendoim, da ABICAB (Associação Brasileira das Indústrias de Chocolate, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados), que atesta a boa procedência, o excelente armazenamento e a qualidade de todos os produtos fabricados pela Santa Helena. As análises dos produtos são realizadas pela SGS do Brasil, empresa suíça de renome internacional, contratada pela ABICAB para emitir a certificação do Pró-Amendoim. A história de sucesso da Santa Helena é permeada por valores como perseverança e criatividade, e marcas como Paçoquita e Mendorato se firmaram como sinônimos de paçoca e amendoim tipo japonês no Brasil, respectivamente.