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Nova Realidade Social na Cana-de-açúcar
José Giacomo Baccarin
Aconteceram importantes mudanças tecnológicas e
administrativas nas empresas de açúcar e álcool na década de 1990.
Atividades foram terceirizadas e aumentou a informatização e a
automatização de processos, diminuindo muito o número de pessoas
empregadas nos escritórios e nas usinas e destilarias.
Na lavoura canavieira as mudanças foram menos
contundentes naquele período. Assim, em 1997, ainda predominava o corte
manual de cana queimada, presente em 82% dos canaviais paulistas. Ao
mesmo tempo, 14% dos canaviais eram cortados mecanicamente após a
queimada e apenas 4% eram cortados mecanicamente sem queimada.
No presente século tem se observado rápido avanço
da colheita mecânica, especialmente pós 2006. As lideranças
empresariais passaram a apostar na melhoria da imagem e na valorização
do álcool como combustível renovável, menos poluente e agressivo ao
meio ambiente que os combustíveis de origem fóssil, como a gasolina.
Nesse intento, o produto de álcool passou a ser denominado de etanol e
as metas para eliminação da queimada dos canaviais no Estado de São
Paulo foram antecipadas.
O fato é que, em 2009, o corte manual de cana
queimada havia se reduzido para 38% da área de cana em São Paulo,
enquanto o corte mecânico de cana queimada era praticado em 6% e o
corte mecânico de cana sem queimar em 56% da área, se tornando,
portanto, o método predominante. A grande vantagem dessa situação é
que diminuem os efeitos negativos provocados pela queimada do canavial,
tanto ambientais quanto na sujeira provocada pelo
"carvãozinho" nas cidades.
Contudo, há um efeito social importante acompanhando
a expansão da colheita mecânica de cana, que não pode ser deixado de
lado. Entre junho de 2007 e junho de 2010, o número de pessoas
empregadas na lavoura canavieira em atividades que não exigem maior
qualificação profissional, como o corte manual de cana, passou de
212.966 para 165.807, uma queda de 47.159 empregos. No mesmo período,
nas demais ocupações das empresas de açúcar e álcool houve aumento
de 31.733 pessoas. O setor está dispensando trabalhadores com baixa
qualificação profissional e contratando pessoas com maior
qualificação, embora não na mesma proporção.
A dispensa de cortadores de cana vai continuar
acontecendo no mesmo ritmo nos próximos anos. Isso pode ter efeito
desfavorável, por exemplo, no comércio daqueles municípios
canavieiros em que a presença dos trabalhadores rurais é
significativa.
Dependendo da continuidade do crescimento econômico
é possível se imaginar que os trabalhadores dispensados do corte de
cana passem a se empregar em atividades que exigem maior qualificação
profissional, seja nas próprias empresas de açúcar e álcool seja em
outros ramos da economia. Entretanto, é importante se perceber que essa
passagem necessita que o poder público dos municípios canavieiros
procure desenvolver localmente programas de emprego, especialmente
aqueles ligados à recolocação e requalificação profissional.
A preservação ambiental é uma importante conquista que a sociedade
almeja. Mas, ela fará mais sentido e será mais be
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